Promotor
Teatro Municipal Joaquim Benite
Breve Introdução
A partir de três peças curtas do dramaturgo romeno Eugène Ionesco (1909-1994) — As saudações, O novo inquilino e Delírio a dois —, o actor e encenador Álvaro Correia (n. 1967) dirige este mergulho no Teatro do Absurdo, a criação da Companhia de Teatro de Almada nesta edição do Festival. São textos que constituem uma seta satírica apontada ao Mundo, às suas contradições e ao seu absurdo. Ionesco usa o nonsense e o exagero para criar efeitos cómicos perturbadores, misturando o trivial e o estranho. Apresenta situações que se repetem sem progresso, muitas vezes sem sentido, convidando à reflexão sobre a falência da comunicação humana.
O novo inquilino é uma peça em um acto estreada em 1957, na qual um homem que se muda para um apartamento novo fica soterrado na sua própria mobília. A linguagem vai-se tornando cada vez mais reduzida, assistindo-se a uma espécie de asfixia pela matéria e à construção de uma casa-túmulo. Delírio a dois estreou em 1962 e partilha com a peça anterior o mesmo espaço, transformando-o desta vez numa casa-bunker: um casal fala até à exaustão, nunca comunicando verdadeiramente. Saudações — a peça que dá nome a esta criação — é uma obra curta (quase um sketch) escrita em 1950. A partir da exacerbação de uma acto quotidiano banal cria-se uma estrutura musical e circular: três homens vão-se cumprimentando continuamente, cada um respondendo aos cumprimentos dos outros. “Como vai?”, “Estamos maravilhosamente bem, estamos ionescamente bem!”. Assim nos sentiremos depois de sair da sala.
Ficha Artística
Companhia de Teatro de Almada
Texto Eugène Ionesco
Encenação Álvaro Correia
Intérpretes
André Pardal, Bruno Soares Nogueira, Carla Bolito, Pedro Walter, Teresa Gafeira
Tradução
Golgona Anghel
Cenografia e Figurinos
Sérgio Loureiro
Desenho de Luz
Guilherme Frazão
Desenho de Som
Daniel Mendrico
Preços